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duasmulheresemeia

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Um mundo desigual, onde a igualdade deveria ser ordem

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Encontro, em cada canto, em cada momento, em cada lugar, alguma desigualdade, por vezes, algo que já não faz sentido, outras vezes algo que até parece ridículo ainda existir, outras vezes algo que "não faz muita diferença" para grande parte das pessoas.

Vejo, no nosso país, uma desigualdade descomunal no que aos salários diz respeito, vejo as pessoas a receberem o salário mínimo (porque, felizmente, a lei não permite que menos recebam. Porque não seria admirável nem isso receberem se a tal não estivessem os patrões obrigados) e terem de trabalhar horas e horas a fio, muitas vezes sem receberem horas extra, porque a entidade patronal assim o exige e estas sujeitam-se porque "não posso ficar sem este emprego. Depois para onde vou?".

Vejo os jovens a sujeitarem-se às mais precárias condições de trabalho, porque "Preciso de começar a ganhar dinheiro, além disso, isto foi uma sorte, ninguém dá trabalho a quem não tem experiência", e caso pensem sequer em dizer que as condições não são nada adequadas ou compatíveis com o cargo, recebem uma grande resposta por parte de quem contrata "Isto é o que há. Está difícil para nós também, mas se não quer tenho muitos mais que querem. E se oferece-se menos também tinha quem quisesse" (infelizmente, têm razão).

Vejo as escolas com menos condições porque não têm crianças cujos pais têm uma grande condição financeira e como tal, parece que não precisam de ter as mesmas oportunidades que estes, parecem menos pessoas porque a conta bancária não atinge um número considerado aceitável para um serviço de qualidade.

Vejo as pessoas não terem os mesmos recursos, na saúde, na justiça, na educação, porque não têm dinheiro e "Um bom serviço, tem de ser pago". Um bom serviço deveria ser um direito de todos os cidadão, de todos os que contribuem para que o estado possa apresentar bons resultados, para que o estado consigo "governar" o nosso país.

Vejo as mulheres continuarem a ter menos direitos só porque "Isto já é assim há muito tempo, porque é que se vai estar agora a mudar?", porque os tempos mudam, porque as mulheres deveriam ter tanto poder como os homens, porque ninguém é mais ou menos do que ninguém.

Vejo a forma diferente como as pessoas de diferente género, de diferente orientação sexual são tratadas, só porque "Isto não é normal. Têm alguma doença. Precisam é de serem tratados". Quem precisa de ser tratado é o autor de tal comentário para com alguém que não se enquadra no que se diz "normal" na sociedade, a normalidade só assim é chamada porque a maioria das pessoas assim foi educada, porque não querem aceitar que não existe um "padrão normal"

Vejo a forma como as pessoas de diferente cor são mal tratadas, injuriadas, só porque "Esta gente não é daqui, veio para cá fazer o quê? Volta mais é para a tua terra". Nós também não nos concentramos apenas no nosso país, porque temos de tratar mal quem procurou melhores condições e veio ter ao nosso cantinho? Não somos o único povo no mundo, não somos a única cor, não somos os "normais", porque existe diferença, mas não deveria existir preconceito.

Vejo a desigualdade espalhada por todo o país, por todo mundo, vejo as crianças a crescerem com o estigma de que a desigualdade é uma constante e não vejo a educação destas crianças a ensinar o contrário. A desigualdade existe, mas não deveríamos ser nós a lutar para que acabasse? Afinal não deveríamos ser todos iguais? Não deveríamos procurar pela igualdade em vez de dar cada vez mais poder à desigualdade?

Mas a questão que muitas vezes colocamos, vale a pena lutar? Vale a pena ir contra algo que já tão enraizado está neste mundo?

Para mim, a resposta é apenas uma, que resume várias: Desistir é que não vale mesmo de nada! De nada serve e de nada nos adianta.

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Cudgi  <3

4 comentários

  • Apesar deste post não se centrar nas desigualdades das mulheres comparativamente aos homens, quer nas funções que ocupam, quer na sua remuneração salarial, quer nas “lutas” em que se inserem, dado o seu comentário, também gostaríamos que olhasse o outro lado da moeda. Apesar, dos salários recebidos por mulheres, relativamente aos direitos de modelagem, estas são “obrigadas” a lidar com comentários muito pouco interessantes por parte de homens, que as veem como um objeto bonito que servirá para muita coisa, ao passo que, os homens que o fazem não lidam com comentários muito pouco racionais (claro que as mulheres que fazem tal trabalho a isso não são obrigadas, mas também ninguém deveria desmerecer tal trabalho, não deveriam ter de lidar com tais comentários).
    Apesar, de como nos referiu, existir um grande número de mulheres a trabalhar em instituições bancárias, é real que as lideranças estão, na sua maioria, a cargo de homens, a desigualdade de salários é nítida aqui, apesar de muitas mulheres lá trabalharem, os cargos de chefia raramente a estas são atribuídos.
    A desigualdade é uma realidade, também na política esta se faz presenta, se não o fosse, e, apesar da aprovação em Portugal no ano 2006 da Lei da paridade, defendendo um equilíbrio entre ambos os sexos (50-50%), em 2011 dos 230 deputados da Assembleia da República, apenas 61 eram mulheres. Até no que respeita ao fim de um casamento, pois perante um divórcio, o homem pode casar-se novamente 180 dias depois do mesmo, enquanto a mulher só poderá fazê-lo 300 dias depois. Existem, infelizmente, empresas que ainda “obrigam” as mulheres a assinarem contratos que impedem que as mesmas engravidem num período de x anos, (claro que é proibido, mas quem defende estas mulheres que se sujeitam a tal para obterem um emprego?). As mulheres ainda continuam a ouvir determinados comentários no que à sua roupa e comportamento diz respeito, um homem pode sair à noite sem se preocupar com o que veste ou às horas que anda na rua, mas uma mulher não é para andar na rua à noite, nem com determinado decote ou uma saia muito curta.
    Claro que nem todas as pessoas têm a mesma mentalidade e os tempos estão em contante mudança, felizmente, as melhoras no que à discriminação entre géneros diz respeito já é visível e cada vez mais, mas a desigualdade ainda existe, não é inventada, talvez a ocultação de determinados fatores também seja real, mas cabe a cada um de nós procurar mais e perceber os dois lados da moeda (nunca existe apenas um lado, com também, em toda a mentira existe sempre um fundo de verdade).

    Com certeza, ser humano é ser desigual, mas a igualdade na sociedade não deve ser medida no que ao género diz respeito, somos diferentes cada um, em si, em grupo, as oportunidades, deveres e direitos não devem ter distinção.</
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    Andy Bloig

    06.04.17

    Conheço duas senhoras que podiam estar no conselho directivo e mesmo a liderarem 2 empresas gigantescas. Uma da área económica e outra da área farmacéutica.
    Sabes porque razão se mantêm no cargo que têm e não querem ir ganhar o triplo do ordenado, passarem a ter um carro novo a cada 3 anos e 15 dias de férias pagas em estâncias de luxo?
    Porque iriam deixar de ter horário de trabalho, podiam ter de fazer viagens longas com aviso de 2 horas ou terem de fazer viagens de mais de 12 horas a conduzir o automóvel, irem para sítios que não conhecem negociar em nome de pessoas que podiam não gostar do resultado final ou estarem num "daqueles dias" e terem de passar a noite toda sem dormir a tratar de montar uma apresentação.
    Uma é solteira, não teria impedimentos (tem um canário), a outra é casada e tem 2 filhos.
    As lideranças das empresas onde elas estão são só homens (secretárias, consultoras e assistentes não contam), mesmo que elas já tenham sido convidadas, várias vezes, para subirem a uma posição de chefia.
    "O dinheiro não me dá mais do que já tenho. Ter mais responsabilidades e ter de dar a face quando algo corre mal sem ter nada a haver com isso, não obrigado."
  • A questão, não é, só e unicamente a remuneração monetária, claro que não vamos ser hipócritas a ponto de dizer que isso não importa, porque o dinheiro é importante, sem ele não sobreviveremos, mas o dinheiro não é, de todo, a total e completa realização de uma pessoa. Não estamos a defender maiores salários para as mulheres, estamos a defender IGUALDADE em toda e qualquer tarefa, em qualquer situação. Não são os salários o que mais importa mas as oportunidades e os direitos das mulheres, que deveriam ser os mesmos que os homens têm neste momento.
    É ótimo que conheça duas pessoas que têm a oportunidade de poder decidir se querem ou não assumir um cargo de maior responsabilidade e, consecutivamente, maior remuneração, mas são apenas duas pessoas, que não generalizam as mulheres. O que devemos defender é a oportunidade de terem o direito de decidir, que é o que não está a acontecer na maioria das vezes.
    Não defendemos maios dinheiro, defendemos oportunidades e direitos iguais.
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