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duasmulheresemeia

Saudade

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Não tenho vergonha de sentir saudade.

Sinto saudade de ser criança, de não ter responsabilidades, de não fazer nada mais além de brincar, pintar e aprender a ler e escrever. Quando a única preocupação era escolher quais os jogos que iria jogar no dia seguinte.

Sinto saudade de pessoas que não estão mais comigo e que eu queria que permanecem junto a mim enquanto eu me entendesse por gente.

Sinto saudade de brincadeiras e momentos da infância e adolescência. Momentos que guardo na memória até que esta me falhe e não consiga recuperá-la.

Tenho saudade do que já passou e uma curiosidade imensa do que ainda está para vir.

Tenho saudade de correr descalça, brincar na rua, jogar futebol e não perceber nada de problemas dos adultos.

Tenho saudade da inocência infantil, do cantinho onde me refugiava quando estava com mudo ou vergonha de algo.

Tenho saudade de não ter saudades de ninguém, ou pelo menos não saber que elas doiam tanto.

Tenho saudade de algo que já fui, mas, ao mesmo tempo, agradeço por tudo o que cresci, tudo o que construi, tudo o que consigo agora fazer e suportar.

Sentir saudade não nos torna mais fracos. Sentir saudade faz-nos recordar, faz com que percebamos tudo o que vivemos, o que nos aconteceu e todo o caminho que já percorremos.

Ao sentir saudade percebemos o quão felizes fomos.

 

Nono & Cudgi <3

 

 

 

Saudade...

 

Por vezes o coração aperta saudoso de tudo o que o nosso pequeno grande Portugal tem. Os pais e a irmã são aqueles de quem te lembras mais vezes e de cada vez te lembras a saudade aperta ainda mais. Ao ponto de saires de uma noite de trabalho e enquanto aguardas pelo transporte vais ao Facebook para queimar tempo e ves uma simples animação do que um pai faz pela filha, daqueles videos fofinhos e com uma boa mensagem e começas a chorar e tens de enviar aquilo para o teu pai. Na verdade o que mais desejas naquele momento é poder regressar a casa só para sentires o conforto que o teu lar, que já não é teu, e poderes abraçar o teu pai e agradecer-lhe mais uma vez, entre as mil vezes que já agracedes-te antes, por tudo o que ele fez por ti. Saudade quando estas numa viagem com os teus novos amigos, emigrantes também, e quereres partilhar e viver aquele momento com os teus porque sabes que eles iriam adorar andar naquele barco e experimentar aquela animação contigo e que iriam rir imenso, que iriam gostar e divertir-se. Saudades de estar apenas com a tua família, porque agora és um adulto e estas numa etapa da tua vida que queres aproveitar os bons momentos que a vida vos proporciam, porque eles estão a envelhecer e tens necessidade de estar com eles, agora mais que nunca. Porque sentes que a qualquer momento podes perder alguém dos teus, e estas demasiodo longe a ocupar o teu tempo a trabalhar no que gostas mas sempre longe deles. As novas tecnologias ajudam a poder ver como eles estão, mas não tudo. Aliás não são nada, porque na realidade só podes ve-los, não podes ir com ele tomar café ao fim do almoço, nem podes sair com eles no domingo ao fim do dia. Não passa de uma rede social que te apazigua a alma a saber que estão do outro lado da camera a sorrir para ti e a dizer que por casa está tudo igual. Porque na verdade os dias passam,tornam-se em meses e depois anos, e tu vives na ilusão de uma proximidade irreal, sempre longe deles sem viver o quotidiano que esse sim é importante. Saudade quando relembras o verão passado e desejas poder estar à noite de vestido fresquinho numa esplanada a ouvir boa música, a beber um café, com aquele tempo quente que só o nosso país nos dá, na melhor das companhias, os amigos. Saudades deles e que saudades, já para não falar dos tempos da faculdade! Saudades de conduzir o meu carro, com o volante do esquerdo, com os perigosos condutores nas nossas estradas portuguesas e de buzinar e de ouvir a Rádio Comercial e rir e cantar com eles. Que povo maravilhoso que somos! Saudades de ir a uma pastelaria ao sábado e comer o meu croissant, um de verdade não destes que aqui existem. Um com a massa folhada fresca e estaladiça que se desfaz em mil migalhas quando dás uma trinca, que bom! Saudades de caminhar e dar de frente com rostos que sorriem para ti sem te conhecer, que te dizem bom dia só porque a sua cultura é mesmo assim. Pessoas com um coração grande, espontaneas e humildes a fazer o esforço para ajudar o próximo. Saudades de andar na rua e cruzar com crianças que riem alto e que correm e que brincam. Saudade de ver peles morenas, olhos escuros, peles envelhecidas sem pudor de não tem maquilhagem em cima. Saudades das minhas raízes, da minha cultura, do meu país. Saudades...

 

Duda*