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duasmulheresemeia

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A praxe e a Teoria de Neodarwinismo

 

 

Muito se tem falado sobre a praxe, uns bem outros mal e todos temos uma opinião e uma experiência a falar. Após todas as notícias e debates achei que deveria falar da minha experiência, ou melhor da minha feliz experiência porque elas existem de norte a sul do país e por mais que o código de praxe seja igual, ninguém nem em nenhum sitio praxa de forma igual. Como disse eu fui praxada há cinco anos atrás e devo dizer que entrar numa faculdade sozinha, sem amigos ou conhecidos é terrivelmente assustador embora eu tivesse a consciência que "não estava assim tão mal" até porque estudei na cidade vizinha onde vivia com os meus pais, ou seja, ao final do dia voltava ao meu porto de abrigo. Mas mesmo assim o primeiro dia é sempre o primeiro dia, cheio de espectactivas, repleto de um turbilhão de emoções e perguntas dentro de nós. Quando cheguei à faculdade vieram dois doutores (estudantes do terceiro ano) educadamente perguntarem-me se era nova na instituição e se gostaria de aderir à praxe. Disse que sim e eles encaminharam-me para dentro da faculdade para fazer o meu Bilhete de Identidade enquanto caloira e explicaram-me as regras e todo o funcionalmente. Enquanto isso cá fora ouvia aqueles "gritos de guerra" em nome da faculdade, risos, letras de músicas para os alunos aprenderem, aquelas canções que ficaram no coração, enfim todo aquele espírito académico que ainda hoje recordo com um sorriso. E eu lá estava na sala do aluno a fazer a minha "inscrição" para aderir à praxe e ao mesmo tempo a ser questionada sobre o motivo de escolher aquele curso, aquela faculdade, aquela cidade. Porque para eles era sem dúvida a melhor opção e estavam a partilhar comigo alguns dos momentos mais importantes e felizes naquela academia. O meu nome de praxe foi escolhido de acordo com a conversa (curta) que tivemos sobre eu (Duda), assim como muitos dos meus colegas. Um nome escolhido devido à sua personalidade, ou nome escolhido de entre uma lista de nomes que eles já tinham. Hoje percebo aquela lista, não é fácil arranjar nomes (nomes de praxe) engraçados e apelativos para tantos alunos novos. Levaram-me para a porta principal da faculdade, onde todos os meus colegas estavam a ser praxados, ou melhor a receber os "ensinamentos básicos". Entretanto surgiram os primeiros jogos que eram uma espécie de quebra-gelo, pois naquele momento conheci colegas de curso que hoje são amigos para a vida. Estava na hora de todos os caloiros irem cada um para a sua sala para terem as apresentações e lá fomos, já iamos à descoberta da sala/piso e tudo mais com aqueles novos colegas, o que me deixou muito mais confiantes pois não estava sozinha. 

 

Sempre que falo no primeiro dia na academia, relembro esse momento com uma nostalgia e com um carinho enorme por aqueles doutores e caloiros que não consigo perceber como existem praxes tão diferentes da que eu tive. Tanto alunos mais velhos como professores da faculdade ensinaram-nos o verdadeiro significado de praxe, porque muitos deles foram também praxados, um deles inclusive foi um Dux (o orgão máximo da praxe, que normalmente é escolhido por ter mais matriculas. Essas podem ser por mérito ou seja, ter várias matriculas porque fez vários cursos e formações superiores como mestrados, pós graduações, especialidades e por aí adiante. Mas também podem ser escolhidos por andarem 9/10 anos numa faculdade a tentar fazer apenas um curso). A praxe deve ser vista como uma forma de integração de novas pessoas e a melhor forma de integrar é conviver. É saber rirmos de nós, entre nós e com os outros. É mostrar que somos todos diferentes mas todos igualmente importantes, e que naquele grupo de alunos novos (de caloiros) ninguém é mais que ninguém. Estudei numa escola de saúde e existe regras e conceitos que nos eram transmitidos para o futuro. Passo a explicar, um traje é um conjunto de peças que representa as diferentes hierarquias (clero, nobreza, povo...), preto por ser considerado o simbolismo da juventude, devem retirar-se todas as etiquetas de forma a não haver distinções entre os diferentes estatutos sociais e económicos. Da mesma forma que as mulheres não devem ter unhas pintadas, brincos, pulseiras de modo a serem todos iguais. Para mim faz sentido essas regras serem cumpridas porque então também não se comprava um traje académico, mas sim outra roupa a gosto próprio de acordo com os valores que desejaríamos investir. Mas como estava a dizer o traje representa igualdade, e eu na área da saúde estaria implícito quando inicia-se a minha carreira profissional usar igualmente uma farda. Farda igual a todos os colegas, onde deveria manter e respeitar o significado da mesma. Unhas pintadas e grandes é obrigatoriamente contra-indicado uma vez que aumenta o risco de infeção para os doentes, mas fica ao critério de cada um. Tal como andar de cabelo apanhado e farda asseada, mas existem pessoas do contra como em tudo na vida. Claro que quem adere à praxe deve estar informado, e fazer por se informar de tudo o que a envolve. Deve estar ciente, consciente e ter a capacidade sobre dizer sim ou não. Porque existem imensas formas de praxar e não vou dizer que a praxe é sempre linear e tudo é belo. Tinha pessoas que a meu ver não sabiam praxar e tinham a sede de querer ter sempre caloiros, de querer que eles faltassem às aulas para estar ali nas atividades, mas temos de saber pensar por nós. Afinal ser maior de idade implica saber distinguir sobre o que quer e o que é bom e mau. O que pode trazer riscos e o que pode apenas ser um jogo divertido. E não me venham com coisas de serem as vitimas, que nem queriam beber tanto álcool, nem queriam correr aquele risco. Porque somos todos adultos e afinal de contas ter personalidade é saber dizer não. Houveram atividades que eu não participei por vontade própria? Claro, simplesmente dizia não concordo com isso e não faço, e não bebo, e não vou, e não quero. Ficavam lixados? Ficavam, mas respeitavam. Porque sabiam que bastava um dizer não para o jogo se inverter, eu dizia que não e vinham logo outros tantos a dizer o mesmo e depois eles iam praxar quem? Meia dúzia de malucos que alinham nessas aventuras por vontade própria. 

 

Sou da opinião que se as praxes são violentas é porque os caloiros deixam e porque assim o querem. Porque a qualquer momento podemos dizer não a determinada atividade e até mesmo desistir. O traje é académico e tem aquele simbolismo que acima falei, e à parte disso o traje pode ainda ser praxistico. Mas cada um determina a forma como quer usar o traje. Cada um manda na sua carteira e decide se quer comprar o traje ou não. Se quer usar o traje de forma académico ou se quer usá-lo também para praxar um dia mais tarde. Eu aderi à praxe e fui caloira. Mais tarde comprei o traje e usei-o de forma académica pois não vejo muito interesse em praxar, deixo isso para quem tem mais jeito e criatividade nas atividades. Mas tive igualmente pedidos para ser madrinha de curso e claro que gostei, mas nunca fiz nada nem obriguei ninguém a fazer algo que não quisesse. Fui madrinha de forma a integrar as minhas afilhadas na faculdade, passar apontamentos (que ainda ficam um bocadinho caros, tantas e tantas sebentas e livros) fui madrinha para criar uma amizade. Hoje dou-me bem com todas elas e sinto imenso orgulho porque considero que todas elas com as suas diferentes personalidades tiveram um bom ano enquanto caloiras e são exemplos para os novos alunos.

 

A praxe tal como na teoria de Neodarwinismo somos envolvidos e modificados pelo meio. No sentido em que se eu vejo a praxe como uma forma divertida de interagir e ingressar uma faculdade e existe alguém "acima" de mim a praxar-me dessa forma, na geração seguinte vou manter esse espírito praxistico. Tal como em tudo existem diversas formas de a praxe, os "seguimentos" irão também ser diferentes e por isso é que temos um país pequenino com inúmeras formas de acolher os alunos. Mas está nas mãos dos novos alunos aceitar ou mudar a praxe. Para mim a praxe foi boazinha porque apenas aceitei o que quis. Não tive medo de dizer não e de considerar algumas atividades parvas. Por isso não queiram desculpar o estado alcoólico em que andavam, ou atividades de risco que aceitaram só para serem os maiores, porque no fundo ninguém manda em ninguém e todos temos o livre arbitrio para decidir o que queremos.

 

Duda* 

Sobre o último passatempo...

Relativamente ao último passatempo com muita tristeza nossa, este irá ficar sem efeito. Desde já pedimos as mais sinceras desculpas a todas as leitoras e participantes, e por isso fica ao vosso critério continuarem a Seguir a loja online em questão (até porque não queremos parceria com pessoas que voltam com a palavra atrás), bem como manterem o Like na nossa página de facebook.

No entanto, anúnciamos já que muito em breve iremos ter um novo passatempo e desta vez um produto que cobiça todo o mulherio.

 

Duda* & Nono<3

Melodia do Pensamento #123

 

"A gente não precisa tá colado pra tá junto
Nossos corpos se conversam por horas e horas
Sem palavras tão dizendo a todo instante um pro outro
O quanto se adoram
Eu não preciso te olhar
Pra te ter em meu mundo
Porque aonde quer que eu vá
Você está em tudo"