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duasmulheresemeia

Futuro no passado

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Com 20 e poucos anos, as minhas projeções de futuro estão um pouco no passado. Desapareceu a ingenuidade do “tudo é possível”, talvez pelos sucessivos entraves a tal acontecimento.

Acho que nesta idade ainda poderia acreditar que tudo é possível, que basta força de vontade, luta, persistência e muito amor pelo que se quer, além de trabalho, claro, para conseguir ser e ter tudo aquilo que quero. Deveria ter o pensamento de que tudo é possível, que nada nos é dado sem esforço mas, na realidade, nada é impossível, se é mesmo o que queremos, basta acreditar.

Deveria ter uma visão de um brilhante futuro, pensar que, agora, é que poderei começar a minha vida, agora é que poderei ser o que sempre quis, agora é que tenho de lutar com todo o poder que tenho para alcançar o que sempre quis. Mas a única coisa que consigo visualizar no momento, é que o futuro não parece nada brilhante, é que o que sempre quis talvez não seja aquilo que conseguirei, que depois de tanto esforço a caminhada parece levar-me ao mesmo local inicial.

Depois de terminar um ciclo na vida, depois de cumprir um sonho, deveria ter a caixa de sonhos cada vez mais cheia, mas já comecei a desfazer alguns, já não tenho a sensação de que “conseguirei tudo o que quero”, já não acredito tanto na frase “Vais conseguir”, já não fazem sentido as frases de incentivo “Basta acreditar e tudo será possível”, “Trabalho e persistência, vão levar-te onde queres”, “Podes fazer de ti aquilo que quiseres”, com 20 e poucos anos, já não acredito em todas estas “verdades”.

Já não acredito que o trabalho, a persistência, o talento, o acreditar, me colocarão aonde quero estar, me levarão para onde sempre quis ir, já não acredito que “É possível basta acreditar”. Com a minha idade e depois de um grande sonho cumprido, a lutar por realizar muitos mais e cada vez maiores, as derrotas custam ainda mais, o objetivo final parece cada vez mais longe e, possivelmente, alguns sonhos terei de abandonar definitivamente.

Mas, afinal, a vida não é isso mesmo? Não se trata de fazer opções? De crescer com o que se vai aprendendo? Não perder a vontade de continuar a lutar mas perceber que existem mesmo impossíveis?

Cada vez mais percebo que nem todos os meus sonhos são possíveis de realizar, por mais que eu trabalhe, por mais que eu lute, por mais que eu insista. NÃO! Não é possível concretizar todos os sonhos e muitos ficarão pelo caminho, alguns depois de tentar muitas vezes, outros apenas depois de avaliar novamente e até nem tentar, são opções. São fases de crescimento.

Por isso, com 20 e poucos anos deixei de acreditar que o meu futuro será perfeito e será o que sempre imaginei. Não será, pode ser melhor ou pior. Talvez tenha demorado demasiado para perceber isso ou talvez pudesse ter sonhado mais um pouco, mas algum dia iria perceber, certo?

 

Cudgi <3

Mãe, Pai, Cresci!

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 Longe vai os tempos em que era apenas um pequeno embrião no ventre da minha mae, acariciada pela grande mão do meu pai.

Longe vai os tempos em que era uma recém-nascida, amamentada pela mãe, chorando por ter fome, por ter dores, porque sim e porque não (e não era capaz de dizer o porquê de tanto choro).

Longe vai os tempos em que mal chegava aos pedais da bicicleta e o mais longe que podia estar de alguém era do quarto para a cozinha.

Longe vai o tempo em que a face era coberta de acne e a vinda do período menstrual pela primeira vez foi um horror, um susto de morte.

Longe vai o tempo em que a troca de escola, a separação dos amigos de infância e a escola de um curso para secundário era a maior preocupação de todos os tempos e o terror de todos os terrores.

Longe vai o tempo em que a escolha de uma profissão, a entrada para uma universidade e a separação (mesmo que provisória) dos pais parecia o pior medo e a pior escolha a ser feita.

Longe vai o tempo em que a vontade de fazer tudo bem à primeira, ser a melhor em tudo e fazer apenas o que gostava era uma realidade.

Longe vai o tempo em que era criança, adolescente, jovem-adulta. Longe vai o tempo em que era uma preocupação para os meus pais, ou assim deveria ser. Já não sou uma criança, já não preciso de ajuda constantemente ou que resolvam os meus problemas, não preciso que me digam o que devo fazer ou o que deveria fazer porque é o melhor para mim.

Mas, continuo no tempo em que os meus pais acham que ainda sou um “bebé”.

Continuo no tempo em que a minha mãe me faz mil e duzentas recomendações antes de sair de casa, ou me liga de 10 em 10 minutos se demoro muito a chegar a casa.

Continuo no tempo em que o meu pai acha que ainda não sou capaz de fazer uma grande viagem, pois passarei muitas horas a conduzir ou não conheço mais ninguém.

Acho que ficaram no tempo em que querem e continuam a tomar conta de mim, não querem que cresça, não querem que me “desapegue” deles, porque serei sempre, uma eterna criança.

Mas já não sou uma criança, cresci e continuo a crescer, todos os dias um pouco mais, todos os dias um pouco mais culta e adulta. Cresci desde o tempo em que precisava de proteção e aconchego e continuarei a crescer, mas os meus são os únicos que parecem não entender.

Mas admitindo, a realidade é que, apesar de não parecerem ver-me a ficar cada vez mais velha, cada vez mais crescida, eu adoro continuar a ser a sua criança, a ser a menina que precisa de apoio e proteção, adoro continuar a sua pequena filha!

Eu cresci mas continuarei a precisar deles junto de mim!

 

Cudgi <3