Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

duasmulheresemeia

Bullying: O inimigo que atravessa gerações

 

16832899957_b721238310_o.jpg

 

É uma realidade, por vezes oculta, que aos poucos vai-se descobrindo. Existem pessoas que praticaram bullying, existe quem sofreu com este “monstro”, existe quem nunca o presenciou, existe quem nunca se preocupou com as cenas a que assistiu e existe quem faz de conta que não viu.

Eu pertenci às pessoas que o sentiram, que viveram e sentiram diversas vezes a força e o poder que este “monstro” causa, que sentiram as consequências de algo que não tive culpa, algo que não me foi dado a escolher.

De nomes a situações, de invenções a factos reais, tudo serve para alguém nos fazer sentir mais fracos, nos fazer sentir culpa por algo que não somos culpados, tudo serve para que alguém com falta de caráter, falta de personalidade, falta de amor-próprio, nos faça sentir mínimos, porque, na realidade, não consegue conviver com a própria vida, não sabe o que quer, não sabe como fazer algo que quer, não sabe como se sentir bem, não sabe ser alguém.

Eu não escolhi ser ostracizada, humilhada, ser sempre colocada de parte. Foi algo que aconteceu! Algo onde eu não tive opção de escolha, porque não era culpa minha! Ou era porque eu não fazia algo tão bem quanto eles, ou porque não tinha roupa tão fixe, ou porque era mais reservada, ou porque não tinha tantos amigos.

Era por tudo, que na realidade, não era nada! Era por ser como era e por eles serem quem eram.

Durante um tempo acreditei que a culpa era minha (pensamento de qualquer criança que não percebe qual o problema, e se tal acontece, a culpa tem de ser dela), mas depois…

Que culpa tinha eu de não ser como eles? De não ser como eles achavam que deveria ser? Que culpa tinha eu, de ser diferente?

Que culpa tinha eu de não perceber tanto de jogos ou de ser péssima em desporto, que culpa tinha eu de os meus pais não terem condições para me darem sempre as roupas e assessórios da moda, que culpa tinha eu de ser mais introvertida, que culpa tinha eu de ser menos bonita aos olhos e medidas da sociedade? Eu não escolhi nada disso! Foi-me dado e imposto, sem mais nem porquês.

Por isso, a culpa não era minha. A culpa não é e nunca será de quem sofre por este inimigo cruel. Quem sofre não escolhe sofrer, mas quem o pratica escolhe magoar. Escolhe sentir-me superior a alguém (algo que não é, e nunca será), escolhe desmoralizar, incomodar, criticar, diminuir e humilhar alguém, escolhe um caminho cruel para uma finalidade sem fundamento, para alcançarem um poder que nunca será real.

Será tão errado pedir que obtenham poder sem diminuir o poder e existência de outro ser?

Eu não sou melhor nem pior que eles, apenas sei quem sou, apenas me defino melhor, apenas me transformo e aprendo com mais coerência e determinação o que a vida me transmite, o que o mundo quer ensinar-me, o que eu quero retirar de tudo o que acontece.

Apenas cheguei mais depressa onde deveria e sabia que seria melhor.

Não posso dizer que tudo o que sou hoje se deve a tudo o que passei (acredito que poderia ser a pessoa que sou, sem este caminho tortuoso, sem tanta dor acumulada), mas, com certeza, é uma parte do caminho que percorri e uma parte que me fez ser a pessoa que hoje sou e que quero ser, a pessoa que vou construindo ao longo do tempo. Naquele tempo, mascarava a dor com um sorriso, e agora faço-o diariamente, porque aprendi a defender-me, aprendi a criar barreiras e não deixar que todos as ultrapassassem. Continuo a confiar em toda a gente, a querer fazer amigos, a querer dar-me muito bem com todos, mas sem demonstrar tudo o que sou, o que posso ser e fazer, sem dar tudo sem conhecer tudo. Aprendi a esconder as fraquezas, porque com as qualidades é muito mais difícil alguém nos diminuir, é muito mais difícil sofrer se me mostrar sempre bem.

Eu sei, que o bullying não vai acabar porque eu falei dele, ele não vai acabar porque alguém escreve palavras bonitas, ou porque todos falam sobre isso, o bullying sempre se fez presente e, infelizmente, continua a ser uma realidade. Mas parte de nós ensinar a novas gerações o que não se deve fazer, parte de cada um de nós, demonstrar que cada um é diferente e igual, que todos temos o nosso lugar e ninguém precisa de ocupar o do outro.

O bullying é o inimigo, todos deveríamos estar juntos para o combater.

 

bully-horizontal-message.jpg

 

Cudgi <3

 

 

Booking.com

12 comentários

Fala-me...